Dedicação Parcial é uma Ilusão

Aprendi um truque novo:

Tente esse joguinho:

1)Peça para alguém escrever em um quadro “dedicação parcial é uma ilusão”. Porém, conforme essa pessoa escreve a sentença, peça a ela que escreva um número embaixo de cada letra (de 1 a 26 – desconte os espaços.) Meça o tempo que ela leva para fazer isso.

Normalmente quem escreve reclama da frustração que é escrever números e letras ao mesmo tempo.

2)Segunda tentativa: a mesma pessoa deve repetir a mesma tarefa, mas uma coisa de cada vez: primeiro a frase, inteira, depois os números, de 1 a 26. De novo, meça o tempo que ela leva para fazer isso.

Compare os dois tempos e a quantidade de erros em cada exercício, e compare o humor da pessoa nessa segunda ação com o humor dela na primeira tarefa.

A genialidade é reconhecida nas coisas simples. Esse exercício, que pode ser feito em qualquer lugar, e até mesmo sozinho. Eu fiz. Eis os meus resultados:

  1. Fazendo os dois ao mesmo tempo: cometi quatro erros e levei 01:09 (um minuto e nove segundos.) Detalhe: eu me distraía volta e meia, parando para pensar o que era mesmo que eu tinha que fazer, e várias vezes tive que segurar o impulso para escrever uma palavra e depois os números correspondentes.
  2. Fazendo um de cada vez: nenhum erro e 00:29 (vinte e nove segundos.) Fiz direto, sem pensar em nada.

Imagine isso elevado ao tempo gasto em alguns projetos, multiplexados. Deixe-me reforçar: fiz as duas sequencialmente em menos da metade do tempo em paralelo!

Já há algum tempo eu venho em uma cruzada (solitária, pelo visto) para erradicar a dedicação parcial dos trabalhos profissionais. Quem faz duas coisas ao mesmo tempo não faz nada direito.

Existem exceções aceitáveis e até necessárias. Ocasionalmente é preciso fazer uma tarefa extra para resolver algo, mas não se pode conduzir a vida diária multiplexando-se à vontade – simplesmente não dá. Existem profissionais que dominam essa técnica ninja, mas são raros e não tenho certeza que isso possa ser ensinado – afinal, malabaristas deixam oito bolas no ar e ainda seguram mais duas nas mãos, mas isso é obtido com muito treino, e muitas bolas perdidas para o chão.

Então, da próxima vez que você fechar um projeto, pondere: é melhor dois no dobro do tempo, ou um depois do outro, na metade?

05/04/12 Complemento

Recebi alguns feedbacks sobre essa assunto de amigos, aqui no blog e no Facebook. Para esclarecer um pouco mais sobre esse meu ponto de vista:

  • Minha preocupação são com projetos, trabalhos que levam no mínimo uma semana e frequentemente mais para ficar pronto.
  • O prazo de entrega é importante.

Por exemplo, médicos e advogados não sofrem desse problema: um paciente em tratamento é visto uma vez por mês; assim como um processo em andamento, recebe atenção esporádica. Esse tipo de profissional vive de ter muita coisa em paralelo.

Isso é bem diferente de um projeto que dura um mês ininterruptamente: enquanto o resultado não for entregue, o profissional não está livre para fazer outra coisa. Por exemplo, construir uma casa, montar um carro ou escrever um software. Você pode dar tempo nesses trabalhos, mas pegar outra coisa durante não vai te tornar mais eficiente, vai na verdade atrasar dois projetos.

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