As transações realizadas por uma empresa são representadas em dados produzidos e consumidos diariamente dentro da organização. Esses dados possuem um valor de negócio descrito por uma escala de utilidade:

  • Nível 0: automação operacional. Os dados não são analisados em nenhum contexto, e servem apenas aos processos corporativos, à automação propriamente dita. Qualquer valor que eles possuam está trancado dentro dos sistemas transacionais. Mesmo uma simples tabulação depende de consultas de baixo nível aos elementos do sistema. Por exemplo, para listar os pedidos do mês é preciso que alguém acesse pedido a pedido e transcreva o dado desejado;
  • Nível 1: consultas aos sistemas. Os sistemas informatizados oferecem consultas pré-definidas para atender necessidades pontuais. É quando o sistema emite listagens de vários tipos, como relatórios de pedidos, listas de preços etc. Qualquer nova necessidade precisa ser atendida por uma equipe de desenvolvimento e programada nos sistemas transacionais;
  • Nível 2: Operational Intelligence (veja também OI vs BI). A corporação adota ferramentas para destrancar os dados transacionais e deixá-los ao alcance das mãos dos empregados, para que esses possam resolver seus problemas diários por si sós. Essas ferramentas ligam-se aos dados crús, direta ou indiretamente, com atualização em tempo real ou próximo a isso, e sem nenhum histórico que não o disponível no transacional. Qualquer dado assim exposto pode ser consumido de várias maneiras, sem necessidade de um profissional especializado;
  • Nível 3: Business Intelligence. Os níveis estratégicos da corporação adotam ferramentas de análises, usadas sobre dados acumulados à parte, em um Data Warehouse (DW). Não existe consumo de dados em tempo real, e os dados são levados para dentro do DW com frequência diária ou maior. Os dados são estocados em sua menor granularidade, indexados temporalmente e consumidos em processos que solucionam problemas de negócio.

Note que o Nível 1 suplanta o Nível 0, e que o Nível 2 suplanta todos os níveis abaixo. O Nível 3, porém, não suplanta o Nível 2 obrigatoriamente. Apesar de uma empresa poder existir no Nível 3, usando apenas soluções de BI, os níveis 2 e 3 são complementares entre si e podem conviver sem conflitos. Por conveniência podemos convencionar um “Nível 4” como:

  • Nível 4: pleno uso de dados. A empresa atua, simultaneamente, nos níveis 2 e 3, oferecendo tanto soluções de Operational Intelligence quanto de Business Intelligence.

Quanto mais alta está uma empresa nessa escala, mais útil seus dados são, e mais valor ela extrai de seus dados. Toda empresa almeja atingir o nível 3. Porém, até que ponto uma empresa quer chegar é uma decisão particular, caso-a-caso, motivada pelas aspirações e objetivos da corporação. Muitas mudanças são conduzidas por pressão competitiva ou demandas da clientela, de modo que o nível adequado é aquele que alivia essas pressões e dá suporte aos objetivos. O nível adequado não é um ponto estável no tempo, imutável. A vida da organização e suas decisões ao longo do tempo podem alterar o nível ideal – ou melhor dizendo, o nível necessário.

Eu tenho usado essa escala em projetos de BI. Como ela tem sido de algum valor, achei interessante compartilhar com vocês.


Dedico este post a meus dois amados filhos, Marcos e Lorenzo, que fizeram aniversário nesta semana.

Sim, os dois. Sim, na mesma semana. :-)


O nome é uma homenagem à esposa do autor que definiu essa escala pela primeira vez. ;-)

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