Mais ou menos uma vez por mês eu entro na Amazon, seção de livros, e digito “dw” ou “bi” ou “data mining” ou algum jargão da nossa área. Eu reviso a lista resultante e vou separando (clicando com o control apertado, para abrir em outras abas) todo e qualquer livro que eu ache interessante. Reviso essa seleção mais uma vez e escolho um ou dois para ler.

A última rodada me trouxe quatro livros do balacobaco.

Impossible Data Warehouse Situations

O mais divertido de todos, de longe, foi este:

Impossible Data Warehouse Situations.
Impossible Data Warehouse Situations.

É um livro antigo, do início dos anos 2000, que aborda um rosário de problemas comuns em implementações de DW. Por exemplo:

  • Quando o protótipo vira produção;
  • TI é o assassino;
  • Clientes não sabem o que querem, clássico dos clássicos!
  • A quem o time de DW deve se reportar? (CIO, gerência de departamento etc.)

Ou seja, problemas comuns. Por que, então, o título de situações impossíveis? Bom, justamente por serem comuns é que são impossíveis: impossíveis de se evitar, quase impossíveis de se resolver.

E nenhum destes problemas faz parte de nenhum curso de DW. Pode olhar, pode procurar. O máximo que você vai conseguir achar é um professor mais experiente que passou ou resolveu algumas destas situações, e vai te contar alguma coisa se você perguntar.

Dessa constatação temos o valor que esse livro possui: inestimável. Até porque não é um autor prescrevendo soluções mágicas, mas sim um painel de profissionais gabaritados que dão sua opinião a cada tópico.

Veja esta situação, como exemplo:

  • Should a line of business build its own DM?

Ou, no meu tradicional e macarrônico estilo de tradução, “um departamento deve construir seu próprio DW?” Ela é descrita, contextualizada e daí vários dos colaboradores do livro dão sua opinião. Alguns são bem rasantes, outros são mais acadêmicos, uns são pé-no-chão enquanto que outros, viajantes. Assim você acaba sempre com várias visões e idéias e propostas para o problema – uma riqueza enorme!

A resposta desse exemplo, para mim, vale ouro. Vários foram quadradinhos, “sim, porque o DW é a coleção dos Data Marts” ou “não, porque o DW é uma coisa centralizada”. Bah, isso eu já sei. Mas aí vem a Jill Diché, minha favorita: go togheter with IT. Ou seja, aproxime-se da TI e ofereça para dividir a carga: você colabora com profissionais e ganha, em troca, priorização. Como é você quem vai fazer a sua parte, você recebe antes. Isso deixa o departamento feliz, a TI feliz (porque tem mais mãos para trabalhar) e não aborrece os consumidores que competem com recursos! Gênio!

E o livro está cheio dessas!

Claro que, com essa idade, alguma coisa acaba datada, como essas duas “situações impossíveis” por exemplo:

  • O sistema de origem muda continuamente; ou uma variação
  • O sistema de origem está passando por uma mudança.

As soluções propostas são de gerenciamento, mitigação de riscos e fortalecimento dos padrões e do modelo dimensional. Hoje em dia temos outra opção (já sabe, né? Data Vaul!), mas mesmo assim não é uma mudança tão grande.

O livro fala sobre negócio (mal-entendidos, desinteres, motivação), times (disfuncional, prima-donas, encrenqueiros), clientes (chatos, ruins), chefes (burros, preguiçosos ou bagunçados), técnicas (metodologia, falta de conhecimento, de experiência), padrões (usados errados, sem padrões), ferramentas e qualidade dados, entre outros.

Como eu disse, adorei esse livro. Não consigo deixar de mencionar outros dois favoritos meus, dos padrões:

  • Os empregados usam a terminologia de maneira errada;
  • Tudo é Data Mining.

:-D

Clinical Intelligence

O nome inteiro do livro é enorme:

Clinical Intelligence: The Big Data Analytics Revolution in Healthcare: A Framework for Clinical and Business Intelligence

E ele fala exatamente isso: como usar os conceitos e idéias de BI aplicado ao campo da Saúde. Há algum exagero e um pouco de mal-entendidos, mas nada que prejudique a idéia central.

Por exemplo, ele separa BI e Analytics (item 1.2, paǵina 26), e classifica machine learning, pattern recognition e predictive modeling como motores (engines) e – não bastasse – ainda por cima diferentes. Como se um padrão não fosse um modelo preditivo, e coisas nessa linha. Dá para suspeitar um pouco se ele realmente chegou a entender tudo do que fala, mas – torno a insistir – não compromete o resultado final. Apenas leia com algum resguardo, pois ele não é da área de BI.

Já na parte que realmente interessa, meus caros, ele arrebenta.

E o que realmente interessa é o índice do capítulo 2:

Sumário do capítulo 2.
Sumário do capítulo 2.

(Peço perdão pela baixa qualidade da imagem. Puxei-a do site da Amazon, e ele não estava colaborando muito…)

Vêem? Ele mostra um tipo de análise para cada um dos vários assuntos médicos! Tem desde aspectos administrativos, como casos de uso, scorecards e indicadores diversos, a complexos modelos de atendimento clínico e previsões de custos, passando por modelos de predição de osteopatia e acompanhamento de antibióticos.

Na boa, esse é o livro de cabeceira de QUALQUER gestor de saúde. Quanto mais abrangente a responsabilidade desse gestor, mais importante se torna esse livro. Em outras palavras: leitura obrigatória para secretários e ministros da Saúde, ponto.

É uma leitura que eu passei meio por alto, afinal eu sou um alien para esse campo. Eu me detive apenas nas partes de BI (onde ele faz uma zona com alguns conceitos, acerta outros e se embanana todo com ainda outros) e matemática (em que ele, aparentemente, coleta trabalhos feitos por diversos outros times, uma coisa absolutamente normal, aceitável, afinal, só um ser sobrenatural poderia saber tanto sobre tanta coisa diversa.)

Agile Data Warehouse Design

Este livro tem uma proposta muito bacana: estabelecer uma metodologia para captura de requisitos para DW adequada a projetos ágeis, e ágil em si mesma.

Cara, ficou ruim. Deixe-me tentar de novo:


Este livro tem uma proposta muito bacana: explicar um método ágil de capturar requisitos para DW, requisitos estes adequados a projetos de gestão ágil.


Bem melhor!

Ágil como em ninja, não como em rápido.
Ágil como em ninja, não como em rápido.

E seria um livro excelente não fosse tão… poluído? Pesado? Foi difícil lê-lo do início ao fim, e eu falhei nisso – depois de um tanto saí pulando até onde aguentei. O método é interessante, parece que funciona e não é difícil. Acho que o maior galho dele é justamente ser uma receita de bolo. Ele tenta passar um conhecimento “situacional”, ou seja, de como agir em cada situação, e fica tão cheio de exemplos e detalhes e senões que a coisa toda fica pesada, trabalhosa.

A sensação é que, uma vez assimilado esse conhecimento, a coisa flui. Assimilá-lo é que parece mesmo um trabalho duro. E, já que estou no assunto, ele não resolve os problemas típicos de projetos, nem de projetos de DW, justamente como aqueles colocados no Impossible Situations – esse mesmo, sobre o qual escrevi acima.

Vale a pena ler? É, pode ser que sim. Se tiver tempo, com certeza. Mas não me parece uma daquelas técnicas que abalam o mundo, como – adivinhe? – Data Vault ou Análise Bayesiana. Mesmo assim, ele agrega.

Até porque eu cheguei numa técnica semelhante, muito mais modesta e de alcance muito menor, mas na mesma linha. ;-)

Variados

E esses eram livros que eu havia lido, mas sobre os quais ainda não falara nada. Além deles, em 2016 eu li alguns outros. Dessa leva de coisas da Amazon falei um pouco no post Férias = Livros!. Não custa relembrar (não custa mesmo, é só um copy-paste aqui, hehe):

Cada um deles é um primor de conteúdo e forma. O de expressões regulares eu deixei até separado, de tanto que eu uso. O de análise bayesiana eu leio e leio e leio e uma hora eu vou dominar!

Já o Building A Scalable DW, bom, pelamordedeus, leia! Ele e o DW Toolkit são a base para um DW Corporativo feliz e saudável! ;-)

Alguma Dica?

E isso fecha o meu ano de leitura. Agora estou procurando as coisas para 2017.

Alguma sugestão? ;-)

3 comentários sobre “Livros

    1. Obrigado pela dica, Jairo! Não conhecia esse livro, que pelo visto ainda nem foi lançado – muito legal!

      Meu caro, eu sou um e-book junkie total. Tipo, eu sempre gostei de livros, e nunca lia nada em computadores que não fosse absolutamente necessário. Livros, nem em sonho. Mas daí eu comprei o Kindle e tudo… continuou igual! Eu ainda não leio livros em computadores ou tablets, mas deixei o papel completamente de lado! Eu só leio em Kindle, só quero em Kindle, Kindle, Kindle. Não é bom, não é legal, é uma coisa fantástica, de outro mundo, fabulosa, maravilhosa, estupenda! Hoje, se não tiver versão eletrônica, eu só leio em papel se realmente precisa muito! Nem em sebo eu vou mais!

      Então, resumindo: só leio e-book, mas só em Kindle. ;-) (Note que você não precisa de um para ler esses livros, já que existem programas para PC, smartphones e tablets que cumprem a mesma função e te dão a mobilidade de um Kindle. O único senão é que não é o mesmo que o Kindle. :-D )

      1. Sim, esse livro deveria ser obrigatório para que quisesse entrar na área de engenharia de dados rsrs. Em relação ao médoto de leitura, já estou providenciando um kindle da 8ª geração, visto que não pretendo ler no escuro rsrs e as telas luminosas me tiram um pouco do sono rsrs.

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