Se você pudesse olhar para frente no tempo, para o futuro, o que iria querer ver?

Vamos deixar de lado coisas como “números da megasena”, “resultados de jogos de futebol” e outras opções pessoais, e focar apenas no seu lado profissional. Se seu trabalho fosse aumentar a lucratividade da sua organização, e você pudesse olhar o futuro, o que você iria querer ver?


Encare “lucratividade” como uma métrica de sucesso da organização – entregar mais por menos. Para uma fábrica é vender mais com um custo menor, para um hospital é atender mais gente gastando menos tempo e/ou dinheiro, para o governo é entregar o prometido dentro do prazo ao menor custo possível e assim por diante.


O preço do dólar? A demanda por laranjas? O valor das ações na Bolsa de Valores?

Primeira Lei de Newton

Talvez você não se dê conta, mas passamos o dia inteiro olhando para o futuro. Exemplos? Aos borbotões!

  • Saímos de casa pensando em fazer o mesmo caminho que fizemos ontem porque ontem funcionou;
  • Ou então planejamos um caminho diferente, porque ontem o de sempre estava ruim;
  • Assistimos jornal na TV sempre no mesmo horário, porque desde sempre aquele foi o horário do jornal;
  • Agendamos compromissos, fiando-nos em uma expectativa de que nada vai mudar de uma hora para outra;
  • Planejamos festas de aniversário mesmo sem saber se estaremos vivos daqui à pouco (uga, essa foi forte, sorry;)
  • Estudamos a matéria vista ontem para prova amanhã porque temos fortes motivos para acreditar que a prova vai discorrer sobre aquela matéria e não outra – mesmo nunca tendo enfrentado uma prova daquelas.

Eu poderia fazer isso o dia inteiro, mas acredito que já reforcei a idéia: se nada aparecer para mudar a rotina, a rotina continuará como sempre foi. Algo como a Primeira Lei de Newton, aplicada à nossa vida diária.


Primeira Lei de Newton: Todo corpo continua em seu estado de repouso ou de movimento uniforme em uma linha reta, a menos que seja forçado a mudar aquele estado por forças aplicadas sobre ele.


Agimos intuitivamente em relação ao futuro. Procuramos indícios, pistas, sobre como as coisas serão daqui a uma hora, a um mês. Olhamos para o céu para estimar a chance de chover quando estivermos andando na rua, olhamos o Waze para tentar saber se vamos nos atrasar ou não.

A parte curiosa disso é que não estamos, de fato, olhando para o futuro, mas sim avaliando a tendência atual e calculando onde estaremos se essa mesma tendência se mantiver. (Não precisamos parar por aí: podemos fazer uma análise da tendência que a tendência tem de mudar – chamamos de aproximação de segunda ordem. E depois de terceira ordem – tendência de mudar da tendência de tendência da mudança – quarta etc. etc. etc.)

Você está sentado na sua mesa de trabalho? Pode ver a empresa de onde está? Então olhe a seu redor. Consegue enxergar os pedidos chegando, as entregas saindo? Consegue ver o movimento que está fazendo essa organização na qual você trabalha? Claro que não: sua empresa se move em um plano invisível a olhos nús, o plano dos dados. Você pode até aprender a associar a entrada e saída de pessoas e veículos, o toque dos telefones e outros sinais à atividade da empresa, mas isso não seria nada além de um reflexo do que acontece de verdade.

Talvez não seja possível ver a empresa funcionando, mas se pudermos coletar os dados que fluem por ela, conseguiremos enxergar seus movimentos.

Dados são a nova realidade.
Dados são a nova realidade.

Seguindo na mesma linha da intuição com o dia-a-dia, entendendo o movimento dos dados podemos estimar a chance de algum evento ocorrer: ganhar ou perder uma venda, receber um chamado de manutenção, um equipamento apresentar falha.

Se o nosso dia-a-dia é resolvido, algo automaticamente, pelo nosso cérebro, como resolver o “dia-a-dia dos dados”?

Ciência & Futuro

Bom, o fato é que a resposta para essa questão já existe, e a vimos na escola: são as tais das “teorias”. Uma teoria é um conjunto de conhecimentos que explicam algo, e por explicar queremos dizer “prever um determinado resultado a partir de uma certa entrada”.

Um exemplo pode ajudar a entender o que eu quero dizer: o que acontece se você jogar alguma coisa para cima? Resposta: cai de volta (na sua cara, se você não tomar cuidado.) A repetição desse experimento várias e várias vezes nos dá uma certa segurança para afirmar que “coisas jogadas para cima, caem”. Essa é uma Teoria, que explica o que acontece com as coisas quando são jogadas para cima. Ela foi criada a partir da nossa observação. Usando essa teoria podemos prever o que vai acontecer se você jogar um sofá, uma bola ou uma vaca para cima: vão cair de volta.

Podemos sofisticar nossa Teoria de Coisas que Caem mais e mais, ao ponto de dizermos com que velocidade as coisas vão cair de volta, que distância vão percorrer e assim por diante. Podemos continuar fazendo experimentos e testando nossa teoria, chegando a formas cada vez mais genéricas.

O exemplo que começamos acima termina assim: Sir Isaac Newton estabeleceu uma lei chamada Lei da Gravitação Universal, que diz como qualquer coisa cai em relação a qualquer outra coisa, em qualquer lugar do Universo conhecido. Ei-la:

Lei da Gravitação Universal.
Lei da Gravitação Universal.

Lei da Gravitação Universal: Duas partículas quaisquer do Universo se atraem por meio de uma força na direção que atravessa seus centros de massa, diretamente proporcional ao produto de suas massas e inversamente proporcional ao quadrado da distância que as separa.

Através dessa equação podemos conhecer a força que age sobre quaisquer duas partículas. Usando a Segunda Lei de Newton, a famosa F = m.a, podemos calcular a aceleração que essas partículas sofrem. Com isso e a equação da posição de um corpo em função da velocidade e aceleração (S = S0 + V0.t + a.t^2/2 – conhece essa?) podemos determinar exatamente onde um corpo vai estar a partir de um momento inicial, desde que S0 e V0 sejam conhecidos.

Dadas as condições iniciais de dois corpos no Universo, em um dado momento, as Leis de Newton e a Lei da Gravitação Universal nos permitirão saber onde elas estarão, em um tempo futuro.

Estamos prevendo o futuro? Não, estamos apenas acompanhando a evolução da realidade com o que conhecemos a respeito de seu funcionamento. É como se a Ciência nos desse uma janela para o futuro, ainda que seja apenas a extrapolação do passado.

Data Mining & Negócios

Uma forma de descrever tudo isso é dizer que as leis criadas por Newton oferecem um modelo de interpretação do Universo. Todas as equações citadas formam um modelo matemático, que pode ser usado para extrapolar o presente para algum tempo no futuro.


Só para não deixar pontas penduradas: todas essas leis e teorias são conhecidas pelo nome coletivo de Mecânica Clássica. Dizemos, então, que a Mecânica Clássica é um modelo que explica a nossa realidade cotidiana.


Bom, e se pudéssemos fazer o mesmo com os dados da nossa empresa, da nossa organização? E se pudéssemos olhar para nossos dados passados e tirar deles uma relação matemática? Então poderíamos usar essa relação para estimar o que vai acontecer no futuro!

É exatamente isso que faz Data Mining: busca um padrão – um modelo matemático – nos dados.

Sabe aquela coisa de BI é para trás, BA é para frente? Bullshit. Data Mining é Inteligência de Negócios no seu máximo!

Voltando à nossa pergunta inicial, se você fosse responsável por uma empresa, e pudesse ver o futuro, o que você iria querer ver?

As Soluções Clássicas

Estamos em 2016. Faz quase cinquenta anos que o conceito de Armazém de Dados está por aí, outro tanto de anos para BI, e séculos que a Ciência, tal como a conhecemos, existe. Temos centenas e centenas de anos de técnicas, métodos, teorias e ferramentas para explorar a realidade ao nosso redor e tentar extrair dela o mecanismo que está por trás da Natureza.

Mais ainda: não é de hoje que tentamos analisar os dados de nossas organizações em busca de estimativas mais seguras do que vai acontecer. Desde que a primeira empresa coletou dados pela primeira vez, alguém tentou analisá-los para extrair vantagem de negócio (siga aquele link: aquela história é de 1865.) Temos décadas, minto, temos mais de um século (1911) de investidas formais nesse campo.

E o que é que já existe?

Este post inaugura uma nova série do GeekBI, na qual serão apresentadas as soluções de Business Intelligence hoje tidas como “clássicas”. De início eu planejei os seguintes posts:

  • CRM
  • Churn Detection
  • Credit Scoring
  • Atuarial
  • Supply Chain
  • Fraude
  • Risco

Tem alguma solução que você gostaria de conhecer? Deixe sua sugestão na área de comentários!


Todos esses casos são baseados em práticas do mercado de Data Mining e conhecimento comum de consultorias da área. Para não ficar só na teoria, no abstrato, eu vou buscar detalhes mais concretos com os maiores especialistas em BI e Data Mining do mundo, o SAS e tentar tornar tudo mais palpável.

Visão geral das soluções de BI do SAS.
Visão geral das soluções de BI do SAS.

Até a próxima!

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