O post da semana passada, Analítico ou Operacional?, nasceu de uma pergunta feita por um aluno meu, em uma de minhas turmas de BI com Pentaho pela 4Linux. Ele me perguntou “qual é sua opinião sobre o futuro do BI?”


A propósito: eu não me lembro quem perguntou isso. Se você, meu precioso pupilo, estiver lendo estas mal-traçadas, por favor identifique-se por meio de um comentário. Te devo no mínimo um grande obrigado e, no máximo, um café – lamento, é a crise. :-)


“Boa pergunta”, respondi eu, já que é a resposta-padrão de qualquer professor quando não sabe o que responder. ;-)

Eu nunca havia parado para ponderar sobre o caminho da indústria de BI, e para onde ele estava nos levando. Até aquele momento eu via o mercado de BI daqui há cinco anos exatamente como o vejo hoje, uma bruta confusão de produto, ferramenta, conceito, necessidade… Uma babel, praticamente, e sem mudanças à vista.

Aquela pergunta catalisou o entendimento dessa confusão. Aquele momento de revelação culminou, justamente, no post Analítico ou Operacional?.

E qual foi a resposta que eu dei ao meu aluno?

Quando uma empresa aborda “BI”, automaticamente ela se envolve com um espaço de produtos e serviços. Atualmente, esse espaço está dividido, grosseiramente, em ferramentas de DW (ETL, ferramentas de análises de dados (OLAP, relatórios e Data Mining) e ferramentas de apresentação de dados (Data Dicovery.)

Costumeiramente, projetos de BI são direcionados ou pela necessidade de visualização/análise de dados, que é o BI do dia-a-dia, ou para Data Mining, restrito a um time de especialistas.

Ocorre que, como colocado no post anterior, esse BI do dia-a-dia está cada vez mais voltado para análises ou visualizações de dados operacionais, e cada vez menos preocupado com o histórico dos dados. Isso não quer dizer que existe cada vez menos profissionais preocupados em analisar a empresa para direcionar suas estratégias, mas sim que há cada vez mais gente nas empresas querendo acesso aos dados, em geral correntes. Uma tendência perfeitamente compreensiva e saudável – boa, até. Ela mostra que a importância de entender e analisar dados em uma organização está crescendo, que está aumentando o reconhecimento do valor das iniciativas de BI.

Eu já vi esse momento de confusão em vários mercados e situações. Quer um exemplo recente? iPod. Tudo começou com o os tocadores portáteis de áudio, lançados por volta de 1998. Durante um tempo a indústria fonográfica e a tecnológica se estranharam, até que Steve Jobs resolveu o imbróglio do faturamento com música digital lançando o iPod/iTunes.

Meu aluno queria saber se BI era um bom mercado de trabalho, se estava crescendo ou o quê.

Minha conclusão, minha resposta ao meu aluno, foi a seguinte:


Inteligência de Negócios é um aliado indispensável de qualquer empresa ou organização que lide com um volume de dados acima de um certo tanto. Não é uma escolha, é uma necessidade imperiosa dispor de capacidade de BI na empresa. E é assim pela simples natureza do mundo corrente, nada mais. A década de 2000 abrigou a popularização de BI. A década atual, 2010, é a primeira em que BI é visto como uma coisa natural, não mais como uma novidade. Logo, minha primeira conclusão é que o mercado de Business Intelligence vai continuar firme, forte e em expansão por algum tempo ainda.

Não sei como a concorrência profissional está evoluindo, mas profissionais de BI sempre foram “moscas brancas”, e acredito que ainda será assim por um tempo. Se você deseja ingressar nesse mercado, ele ainda me parece promissor.


Foi neste ponto que eu entendi a separação estratégico-operacional evoluindo em BI. Eu segui adiante e complementei a resposta:


Em segundo lugar, o mercado atual de Inteligência de Negócios está passando por uma transformação. Há algum tempo vem crescendo um nicho de exploração de dados vivos, buscados diretamente das fontes, sem passar por um DW.

Essa necessidade é atendida, hoje, pelos mesmos profissionais que vieram de Business Intelligence. Provavelmente, a especialização cada vez maior desse conjunto “profissional + ferramenta” vai acabar forçando o reconhecimento de um novo paradigma, o paradigma da exploração e visualização de dados operacionais.

Na minha opinião, BI vai se abrir em dois outros ramos: um setor voltado para consumo de dados operacionais, vivos, por meio de ferramentas conhecidas hoje por Data Discovery, e outro, formado pelo que hoje percebe-se como “BI clássico”. Como o conjunto de habilidades para BI é diferente das de OI, imagino que um novo mercado profissional vá florescer.

Provavelmente teremos, em breve, dois tipos de especialistas de dados: o cara voltado para OI, dominando um pouco de muitas tecnologias, e o sujeito de BI que, como é hoje, terá um conhecimento mais profundo sobre uma gama mais estreita de tecnologias. Por exemplo, o DD-man precisa manjar de bancos de dados, ferramentas de exploração, tratamento de qualidade de dados, dashboards, atendimento a cliente etc. etc. etc. – e tudo junto. O BI-people, por outro lado, seguirá sendo como é hoje: um domina DW, outro é Analista de Data Mining, vai ter o sujeito do balcão, para entender a demanda do cliente e levá-la para o desenvolvimento, a equipe de ETL, um especialista em performance/altos volumes de dados, e assim por diante.


Acredito que existem dois mercados sobrepostos no mesmo nome. Um de ferramentas voltadas para aquela insaciável sede de “ver” os dados, e outro voltado à sede de conhecimento do negócio, não dos dados explicitamente. Eu sempre afirmo que BI é muito mais que ferramentas e dados. Inteligência de Negócios cria valor ao alimentar de conhecimento as mentes dos estrategistas da organização, na minha visão.

A turma em questão ocorreu em Agosto de 2015, mais de seis meses atrás. Quanto mais eu pensava sobre isso, mais sentido fazia e hoje eu vejo a evolução do DD como uma tendência irreversível. Nem imagino como essa “pressão” vai reformatar o mercado de análises de dados, mas estou convencido que existe um sub-mercado crescendo por aí, e que isso vai ter impacto não apenas na forma como acessamos os dados dentro de uma organização, mas também no perfil do profissional que atuará nesse segmento. E, a reboque, no mercado de treinamentos.

E aí, hein? Como será esse profissional? Quem vai treiná-lo? Em que tecnologias?

Quem viver verá. ;-)


Tudo que eu coloquei aqui nasceu em uma conversa informal e até hoje eu não parei para procurar pesquisa que confirme a minha opinião. É só a minha percepção, mais nada. Logo, por favor, não vá mostrar isso à alguém dizendo que é um fato escrito em pedra, beleza? ;-)


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3 comentários sobre “O Futuro do BI

  1. Republicou isso em ॐ Paixões da Própria Alma ॐe comentado:
    Concordo com tudo o que você escreveu. Vivemos isso no dia-a-dia. Pena que em muitos lugares ainda não se permitam ver a diferença entre esses mundos e perceber que ela é saudável e podem conviver juntas. Não dá para demonizar os DD-man e as ferramentas que estão aparecendo para usar direto nos dados operacionais. E também não dá para colocar no pedestal e idolatrar a turam do BI Clássico. Está mais do que na hora das empresas e instituições definir o que elas querem, e escolher o caminho correto para suas necessidades. E tenho certeza de que vai chegar a conclusão de que é possível andar pelos dois caminhos e mesmo assim chegar ao destino que traçou. Esta é a minha opinião, baseada nas minhas experiências e leituras.

  2. Fábio,

    Sinto na pele hoje em dia essas situações. Um grupo de pessoas querendo “ver os dados presente” e outros querendo “analisar todos os dados”. Acredito que empresas e diretores, infelizmente, enxergam como uma só função, mas como você mesmo citou : o mercado está crescendo…

    []’s

    Paulo Geracino

    1. Eu sempre me pergunto o que pode alterar o mercado, Paulo, o que pode mudar essa percepção. A conclusão a que sempre chego – não sei se precisa ou mesmo correta – é que essa situação está pendurada na cultura da gestão, na educação dessa gestão. Mas como há um fator “imitação” nessa história, a mudança é lenta, quando acontece.

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