A Sespa implantou uma solução de BI com dados georreferenciados do Ministério da Saúde. Vá ao post do Solução em Aberto para ler a história toda (lá tem links para o blog do instrutor que treinou a turma e para a notícia no portal do estado.) Segundo o que aprendi com meu amigo Gerson Tessler, do Serpro, esse tipo de solução leva o nome de Locale Intelligence.

Há várias coisas legais sobre essa solução:

  1. É feita com Pentaho BI Server CE. Se alguém ainda tinha alguma dúvida sobre as capacidades da plataforma CE em comparação com a EE, não deve ter mais. Claro que EE tem suporte (importante para o médio e longo prazo) e é mais bonita e fácil de usar (importante para produtividade do analista.) Mas como eu sempre digo, ambas são capazes de exibir a mesma informação e explorá-la da mesma forma.
  2. Os dados são do Ministério da Saúde, não da Sespa. Se ninguém percebeu, a solução está 100% pronta para QUALQUER estado ou município – basta mudar o filtro dos dados! (Claro que não é assim tão simples – quem já viu esses dados no site do MS sabe que dá mais trabalho que só mudar um campo e ainda tem a parte do mapa, mas o gênio saiu da garrafa.)
  3. Melhor ainda: dá para fazer um nacional e aberto ao público!

Eu sei que muitos orgãos de saúde (e de outros temas, como segurança), de estados e municípios, estão tentando ou já fizeram seu próprio sistema – também com Pentaho. A novidade no presente caso é a divulgação. Nesses anos conectados em que vivemos, dividir conhecimento é o fator mais importante para mais melhorias. A Sespa vai apresentar essa solução mês que vem, em Brasília, na Câmara Técnica de Informação e Informática em Saúde do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass). Tomara que a partir dali as administrações públicas invistam mais nessas soluções.

Outra idéia (que eu vou tentar enviar para a equipe de desenvolvimento) é compartilhar a solução no Portal do Software Público Brasileiro. Isso pode facilitar a adoção e evolução da solução.

Data Mining

A mera existência da solução da Sespa é um grande avanço. Imagine o que poderia fazer um analista de Data Mining que pusesse a mão nessa solução? Com os dados limpos e integrados, com históricos, pode-se elaborar modelos que detectam o surgimento de epidemias, estudos de alocação e retorno de investimentos, estudos científicos, médicos etc.

Não acreditam? Ouçam (ops, leiam) essa:

Rob McEwen, presidente da Goldcorp Inc., Toronto, Canadá, disparou uma corrida do outro virtual criando um fantástico desafio para os geologistas do mundo: mostraremos todos os nossos dados sobre a mina de Red Lake se você puder nos dizer onde provavelmente vamos achar nosso próximo seis milhões de onças de ouro. Prêmios: um total de US$575,000, com o primeiro prêmio de US$105,000.

Bom, os dados foram liberados no meio de muito desconforto, já que esse é um mercado de segredos. E o resultado é que eles cavaram em quatro locais dos cinco ganhadores, e acharam ouro em todos os quatro! De uma produção anual de 53.000 onças de ouro em 1996, eles passaram para 504.000 onças/ano em 2001. Um crescimento de 10 vezes em 5 anos!!! Sem nunca terem posto os pés na mina, especialistas foram capazes de estudar os dados e descobrir novas oportunidades. O presidente da companhia acredita que esse compartilhamento de dados é parte do futuro dos negócios. Adivinhem com o que ele se inspirou para abrir os dados? Linux. ;-)

Os dados do Ministério já estão abertos. A solução da Sespa é um primeiro passo. Mal posso esperar para ver onde isso vai dar.

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